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Fifa revela grande distância entre futebol feminino e masculino e lança estratégia

Até 2022, todas as entidades nacionais precisarão ter estratégias de desenvolvimento para o futebol feminino e organizar torneios de categorias

Por J.Lima em 11/10/2018 às 20:19:44

Foto: Divulgação / Iranduba

O futebol feminino começa a ganhar popularidade e a ser reconhecido por federações nacionais em todo o mundo. Mas o primeiro levantamento realizado pela Fifa revela que o total das transferências da modalidade neste ano é equivalente ao que custaram apenas três jogadores no futebol masculino: Neymar, Mbappé e Cristiano Ronaldo.

Nesta semana, a Fifa lançou sua primeira estratégia para expandir o futebol feminino no mundo. A meta é de que, em 2026, 60 milhões de mulheres estejam praticando o esporte, o dobro de hoje.

A Fifa estipulou ainda que, até 2022, todas as entidades nacionais precisarão ter estratégias de desenvolvimento para o futebol feminino e, em 2026, um número duas vezes superior ao atual precisa organizar torneios de categorias jovens entre meninas. Para 2019, a meta é de que a Copa do Mundo Feminina tenha audiência acumulada de 1 bilhão de pessoas.

Mas, por enquanto, a disparidade é grande também nos contratos. Em apenas 3,5% dos casos uma atleta trocou de clube enquanto seu contrato estava em vigor. No futebol masculino, essa taxa é de mais de 15%. E 94% dos casos de transferência de jogadoras se referem a atletas que já tinham terminado seus contratos e estavam liberadas para buscar um novo time.

As jogadoras mais cobiçadas são as norte-americanas. Em 2018, 108 transferências envolvendo atletas dos Estados Unidos foram registradas. "Neste momento, elas podem ser consideradas como o equivalente ao domínio que os brasileiros representam para o mercado do futebol masculino", diz o levantamento da Fifa.

A segunda colocação no ranking é da Venezuela, com 64 jogadoras transferidas para o exterior neste ano. O Brasil aparece em terceiro lugar, com 40 casos. Desses, 33 foram "exportadas" de clubes nacionais para o exterior. Os clubes dos EUA foram os que mais exportaram atletas, com 69 transferências.

Fifa revela grande distância entre mercados do futebol feminino e masculino

A Fifa admite que o volume movimentado e o mercado internacional ainda é modesto. "Essa é a consequência do fato de o mercado para jogadoras profissionais estar ainda em um estágio inicial de seu desenvolvimento", explicou. A entidade acredita que exista potencial para expansão no futuro. Mas não se arrisca a prever que caminho esse mercado vai tomar.

"Uma possível análise para estes números recai na pouca estrutura e na deficiente profissionalização do futebol feminino na grande maioria das federações", disse Silvana Vilodre Goellner, do Centro de Memória do Esporte da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e integrante dos grupos de trabalho promovidos pela CBF para debater o futebol feminino.

Ela tem sugestões sobre como lidar com essa realidade. "Para ampliar esse mercado só há uma saída: que a Fifa e as federações nacionais fomentem estratégias de profissionalização do futebol feminino de modo que as atletas tenham seus direitos assegurados, inclusive o de se transferir para outro país."

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